Os pré-candidatos defenderam diferentes visões sobre desenvolvimento regional, distribuição de recursos, fortalecimento do pacto federativo e o papel do Senado para soluções dos desafios enfrentados pelos municípios mineiros
Esta quarta-feira, 6 de maio, foi marcada por um dos momentos mais aguardados da programação: o painel com os pré-candidatos ao Senado por Minas Gerais. O debate lotou o palco principal do evento e mobilizou prefeitos, prefeitas, vereadores, secretários municipais e demais participantes, reforçando o interesse dos gestores mineiros em conhecer, de forma direta, as propostas de quem pretende representar o estado no Senado Federal.
Com mediação do ex-presidente da AMM, Julvan Lacerda, o debate reuniu nomes que colocaram em pauta temas como pacto federativo, infraestrutura rodoviária, autonomia financeira dos municípios, equilíbrio entre os poderes e o futuro fiscal de Minas Gerais. Participaram a ex-prefeita de Contagem, Marília Campos, o deputado federal Domingos Sávio, Marcelo Aro e Áurea Carolina, que apresentaram propostas e responderam aos questionamentos formulados a partir das demandas levantadas durante a Caravana AMM.
Ao longo das exposições, os pré-candidatos também defenderam diferentes visões sobre desenvolvimento regional, distribuição de recursos, fortalecimento do pacto federativo e o papel do Senado na construção de soluções para os desafios enfrentados diariamente pelos municípios mineiros.
MARÍLIA CAMPOS DEFENDE REVISÃO DA DÍVIDA MINEIRA E FOCO EM INVESTIMENTOS ESTRUTURANTES

Durante participação no painel, a pré-candidata destacou sua experiência no Executivo e apresentou propostas voltadas ao equilíbrio fiscal de Minas Gerais e à descentralização do desenvolvimento regional. Marília afirmou que pretende levar ao Senado a experiência de gestão construída ao longo de sua trajetória pública.
Ao responder sobre a situação das rodovias federais que cortam Minas Gerais, Marília defendeu que a solução passa pela criação de programas estruturantes de mobilidade e investimentos em longo prazo, considerando as diferentes realidades regionais do Estado.
Sobre a criação de novas obrigações sem a correspondente fonte de recursos para as prefeituras, a pré-candidata reforçou a importância da Emenda Constitucional 128 e da proteção à autonomia financeira municipal. Segundo ela, os municípios precisam de segurança orçamentária para atender às crescentes demandas da população.
Ao abordar a dívida do Estado com a União, Marília defendeu a rediscussão do modelo atual, incluindo a compensação pelas perdas da Lei Kandir. Para a pré-candidata, as negociações em andamento ajudam momentaneamente o caixa estadual, mas não solucionam o problema estrutural das finanças mineiras.
No encerramento do painel, Marília Campos defendeu a superação da polarização política e destacou a necessidade de uma atuação focada em resultados concretos para os municípios. Segundo ela, o Senado deve contribuir para que Minas Gerais recupere a capacidade de investimento e fortaleça áreas essenciais, como saúde e infraestrutura.
DOMINGOS SÁVIO DEFENDE MUNICIPALISMO E EQUILÍBRIO ENTRE OS PODERES

O pré-candidato apresentou sua candidatura ao Senado como uma missão coletiva e destacou sua trajetória pública, que inclui atuação como vereador, prefeito de Divinópolis e oito mandatos legislativos. Durante sua participação, afirmou que o Senado deve exercer um papel estratégico na defesa da liberdade, da democracia e do equilíbrio entre os poderes.
Ao abordar a situação das rodovias federais em Minas Gerais, Sávio associou a falta de investimentos à má gestão e à corrupção, defendendo mais rigor na fiscalização dos recursos públicos. Segundo ele, o combate aos desperdícios e prejuízos em estatais pode abrir espaço para investimentos em infraestrutura.
O pré-candidato também reforçou sua atuação em defesa do municipalismo, lembrando sua participação em pautas que buscam impedir a criação de despesas para as prefeituras sem a devida compensação financeira. “Eu sou municipalista e tenho consciência de que o problema existe no município; não podemos sacrificar ainda mais as prefeituras”, afirmou.
Ao falar sobre a situação fiscal do estado, Domingos Sávio defendeu a revisão da distribuição dos royalties do petróleo e criticou a demora em decisões judiciais relacionadas ao tema. Para ele, o Senado deve atuar com firmeza na defesa dos interesses de Minas Gerais e na busca por mais equilíbrio federativo.
MARCELO ARO: A POLÍTICA COMO VOCAÇÃO E O COMPROMISSO COM MINAS

Marcelo Aro iniciou sua participação destacando sua trajetória política e defendendo que a vida pública deve ser guiada por vocação e compromisso com as pessoas. Aos 38 anos, relembrou sua atuação desde quando foi o vereador mais jovem de Belo Horizonte, passando por dois mandatos como deputado federal e pela Secretaria de Estado da Casa Civil e de Governo de Minas Gerais.
Aro afirmou que o fortalecimento dos municípios será uma de suas principais bandeiras no Senado. Segundo ele, é nas cidades que os problemas da população são resolvidos de forma mais efetiva. “Eu quero ser o senador municipalista, que vai pegar dinheiro da União e trazer aqui para Minas Gerais e para os municípios resolverem o problema das pessoas.”
Outra pauta destacada pelo pré-candidato foi a defesa das pessoas com deficiência e dos pacientes com doenças raras. Aro citou iniciativas desenvolvidas em Minas Gerais e afirmou que pretende ampliar essas políticas públicas em âmbito nacional.
Ao falar sobre infraestrutura, criticou a baixa devolução de recursos federais para Minas Gerais e cobrou mais investimentos nas rodovias do estado. Também defendeu mudanças no pacto federativo e a revisão dos juros da dívida mineira com a União, para que mais recursos permaneçam nos municípios e possam ser revertidos em investimentos para a população.
ÁUREA CAROLINA: UMA TRAJETÓRIA DE LUTAS COLETIVAS E INOVAÇÃO POLÍTICA

A pré-candidata iniciou sua participação destacando sua trajetória construída a partir dos movimentos sociais e sua origem na periferia de Belo Horizonte. Ex-vereadora e ex-deputada federal, Áurea Carolina afirmou que sua candidatura representa a ocupação de espaços políticos por mulheres e por lideranças populares historicamente sub-representadas.
Durante sua fala, Áurea relembrou experiências de inovação política e chamou atenção para a baixa participação feminina nos espaços de poder em Minas Gerais. A pré-candidata defendeu mais incentivo à presença de mulheres na política e políticas públicas voltadas à ampliação da representatividade nos municípios.
Ao abordar pautas municipalistas, Áurea defendeu maior apoio técnico e institucional para os municípios de menor porte, propondo mais suporte da União e dos estados para elaboração de projetos, captação de recursos e qualificação da gestão pública local.
Sobre a situação da infraestrutura em Minas Gerais, a pré-candidata defendeu mais diálogo entre os municípios e os órgãos federais responsáveis pelas rodovias, além de discutir alternativas para ampliar o acesso ao transporte público e melhorar a mobilidade regional.
Áurea também apresentou críticas ao modelo de gestão da dívida estadual e ao uso do patrimônio público como solução fiscal. Ao abordar a mineração, defendeu uma distribuição mais justa das compensações financeiras e maior atenção aos municípios impactados pela atividade econômica.
No encerramento, a pré-candidata afirmou que pretende defender mais transparência na destinação de recursos públicos e uma atuação independente no Senado, com foco na defesa dos direitos sociais, no fortalecimento da democracia e na melhoria das condições de vida da população mineira.
Governo de Minas
No primeiro dia do Congresso, os pré-candidatos ao governo estadual, Alexandre Kalil e Gabriel Azevedo, também participaram de painel no palco principal do evento. Clique aqui e acesse.





