As estimativas do Ministério da Saúde sugerem que cerca de 80% das pessoas com demência no Brasil não estão diagnosticadas. O problema é multifatorial, e o estigma faz parte dessa estatística. Para ajudar a melhorar o cenário, o MS lançou um fluxograma inédito para profissionais de saúde chamado Identificação da Demência na Atenção Primária. O objetivo é auxiliar no diagnóstico em tempo oportuno ainda no primeiro nível do Sistema Único de Saúde (SUS).
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O atendimento a pessoas idosas com demência na atenção primária à saúde (APS) do SUS tem crescido nos últimos anos. Em 2023, foram 331.963, quase 100 mil a mais que em 2022 (com 253.966 registros) – e, neste ano, apenas os meses de janeiro a julho já somam 198.141 atendimentos, segundo dados do Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica (Sisab).
Entretanto, muitos diagnósticos são tardios, ou seja, ocorrem já em fases mais avançadas da demência. É necessário desmistificar, por exemplo, que a solidão e o isolamento, entre outros comportamentos que indicam sofrimento, sejam algo normal do envelhecimento.
Como funciona
O fluxograma foi apresentado pelo pesquisador da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Paulo Caramelli, que lembrou que a demência também pode atingir pessoas mais novas, não apenas idosos, embora quanto maior a faixa etária, maior seja a prevalência. “Por esse motivo, certamente a demência deve ser incluída nesse rol de condições que profissionais da atenção à saúde primária devem conhecer e saber abordar, do ponto de vista diagnóstico, como já ocorre com hipertensão arterial e diabetes”, disse.
Há três etapas elencadas no documento: a identificação, por meio da Caderneta da Pessoa Idosa ou por demanda espontânea; o rastreio cognitivo inicial, que qualquer profissional de saúde pode aplicar com o paciente (método 10-CS) ou com o acompanhante (método QMC8), que inclui, por exemplo, a memorização de figuras; e a avaliação médica. Também há uma página ensinando a utilizar os questionários, além dos questionários em si, que podem ser impressos.
Outro ponto-chave levantado pelos palestrantes foi o papel da APS do SUS no apoio às famílias e cuidadores de pessoas com demência. “O diagnóstico oportuno permite o manejo terapêutico adequado e pode contribuir para diminuir a sobrecarga de familiares e cuidadores”, lembrou Paulo Caramelli.
Fonte: Ministério da Saúde
Foto: Pixabay
Assessora técnica de Saúde da AMM, Juliana Marinho, WhatsApp (31) 2125-2400.





