Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp

Férias escolares exigem atenção redobrada para prevenir acidentes com crianças

Queimaduras, quedas e afogamentos estão entre os principais riscos no período, que concentra alta demanda por atendimentos de urgência

Durante as férias escolares, quando as crianças passam mais tempo em casa e em áreas externas, aumentam os riscos de acidentes domésticos e urbanos. Situações simples, muitas vezes associadas a momentos de distração, estão entre as principais causas de atendimentos de urgência envolvendo o público infantil em Minas Gerais e em todo o país. 

Segundo a coordenadora do Centro de Tratamento de Queimados do Hospital João XXIII, Kelly Araújo, a escaldadura – queimadura causada por líquidos quentes (água, óleo, vapor) ou calor úmido – é a principal causa de queimaduras em crianças pequenas. Ela ressalta que mais de 90% dos casos poderiam ser evitados com medidas simples de prevenção dentro de casa. “O ideal é usar as bocas de trás do fogão, manter os cabos das panelas voltados para dentro e evitar toalhas de mesa, que podem ser puxadas pelas crianças”, orienta. 

Além dos líquidos quentes, outro risco frequente dentro das residências são as queimaduras elétricas. De acordo com especialistas, tomadas desprotegidas e fios expostos representam perigo constante, especialmente para crianças. A recomendação é restringir o acesso, utilizar protetores adequados e manter vigilância contínua, mesmo com dispositivos de segurança instalados. 

Atenção também fora de casa 

Durante o recesso escolar, os riscos não se limitam ao ambiente doméstico. Crianças maiores, entre 6 e 13 anos, costumam ganhar mais autonomia para brincar na rua, o que exige atenção redobrada dos responsáveis. O cirurgião geral e do trauma do Hospital João XXIII, Rômulo Souki, alerta que a redução da supervisão é um fator decisivo para a ocorrência de acidentes. “É nessa fase que acontecem quedas de altura, atropelamentos e afogamentos, especialmente em piscinas, rios e represas”, explica. 

O especialista reforça que brincadeiras ao ar livre devem ter sempre a supervisão de um adulto, longe de vias movimentadas e com uso de equipamentos de segurança, como capacetes, joelheiras e cotoveleiras nas atividades como bicicleta, skate e patins. Ele também chama atenção para o risco de traumatismos cranianos.

“A cabeça da criança é proporcionalmente maior que a do adulto, o que aumenta a gravidade das quedas. Às vezes não há fratura aparente, mas pode existir uma lesão interna grave”, alerta. 

Prevenção 

As crianças são a maioria quando o assunto é intoxicação acidental com produtos de uso domiciliar. As embalagens são geralmente coloridas e chamativas e atraem a atenção e curiosidade. Por isso, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) alerta que a prevenção é a principal aliada para garantir férias seguras. Medidas simples como armazenar corretamente os produtos de limpeza ou medicamentos, em locais fora do alcance dos pequenos, evita intoxicações graves ou até queimaduras internas.

Também é importante se atentar aos objetos pequenos como baterias, pilhas, tampas de caneta, entre outros, que podem ser engolidos pelas crianças, causando sufocamento ou outras complicações. No caso dos brinquedos, é fundamental, respeitar as recomendações do fabricante sobre o limite de idade. Outra dica importante para um ambiente mais seguro em casa é a instalação de telas de proteção em janelas e próximo a escadas.

O que fazer?


Caso a criança tenha contato com algum produto de limpeza e seja percebida irritação, vermelhidão, coceira ou queimaduras, é preciso lavar a área imediatamente com água corrente e entrar em contato com o fabricante do produto.

Em casos de acidentes, é importante deixar a criança acordada até o atendimento médico. Em caso de queimadura, o ideal é colocar o local da lesão em água corrente a temperatura ambiente. No caso de intoxicação com medicamentos ou produtos de limpeza, a criança deve ser levada o mais rápido possível a um hospital e não deve ingerir alimentos, líquidos ou induzir o vômito. Em todos esses casos, o Samu pode ser acionado pelo telefone 192. 

Foto: Ascom AMM

pt_BR
pt_BR