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Evento “Mulheres que Governam” reúne lideranças para fortalecer protagonismo feminino na gestão pública

Prefeitas, vice-prefeitas, vereadoras e lideranças públicas de diversas regiões de Minas Gerais se reuniram nesta segunda-feira,9 de março, na sede do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG), em Belo Horizonte, para a abertura do evento “Mulheres que Governam”, promovido pela Associação Mineira de Municípios (AMM). O encontro propõe um espaço de troca, inspiração e fortalecimento da presença feminina na gestão pública municipal.

A iniciativa reúne mulheres que atuam na política e na administração pública para discutir desafios, compartilhar experiências e valorizar o protagonismo feminino na condução dos municípios mineiros.

Na abertura do evento, o presidente da AMM e prefeito de Patos de Minas, Luís Eduardo Falcão, destacou a importância de transformar o reconhecimento da participação feminina em ações concretas dentro da gestão pública. “Não adianta apenas discurso se não colocarmos isso em prática. Em Patos de Minas, por exemplo, 60% dos cargos da gestão são ocupados por mulheres. Além de tudo o que vocês fazem, ainda se dedicar à gestão pública não é fácil. As mulheres que governam uma cidade merecem o nosso reconhecimento e a nossa homenagem”, afirmou.

Falcão também ressaltou que o avanço da participação feminina na política passa por uma mudança de mentalidade e pelo fortalecimento institucional. “Isso não acontece na política por uma falha nossa como sociedade. Precisamos transformar o ambiente da gestão pública. Esse evento fortalece a conscientização e a troca de experiências, que é muito importante. E não apenas o apoio entre mulheres, mas o apoio de todo o cenário político para ampliar essa representatividade. A AMM está de portas abertas, caminhando lado a lado com as prefeitas”, disse.

Representando o presidente do TCEMG, Durval Ângelo, a auditora de controle externo e assessora da diretoria-geral do Tribunal, Rachel Campos Pereira de Carvalho, ressaltou o papel das instituições públicas na promoção da igualdade de gênero e no combate à violência contra a mulher.

“De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral, Minas Gerais possui apenas 68 prefeitas entre os 853 municípios, o que representa 7,9% do total. Esse número mostra o quanto ainda precisamos avançar para garantir que as mulheres ocupem os espaços de poder como poderiam e como deveriam”, destacou.

Segundo Rachel, o Tribunal de Contas também tem responsabilidade na fiscalização das políticas públicas voltadas à equidade de gênero. “Compete ao Tribunal fiscalizar a efetividade das políticas públicas, a alocação de recursos e a governança das ações voltadas à proteção das mulheres, em consonância com o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número 5, que trata da igualdade de gênero. Também precisamos incentivar políticas públicas que envolvam a família, a escola e o Estado, para educar nossos meninos e romper com a cultura do patriarcado e do machismo estrutural”, afirmou.

A líder do Movimento de Mulheres Municipalistas de Minas Gerais e prefeita de Serrania, Xanda Maria, destacou o papel das mulheres que ocupam diferentes funções na gestão pública e reforçou a importância da liderança feminina no desenvolvimento dos municípios.

“Governar não é apenas legislar ou administrar uma prefeitura. Governar é liderar equipes, conduzir instituições, proteger vidas, promover justiça e gerar desenvolvimento. Hoje queremos reconhecer nossas deputadas, prefeitas, vice-prefeitas, vereadoras e também as primeiras-damas, que muitas vezes desempenham um papel estratégico nas políticas sociais”, afirmou.

Para a prefeita, a presença feminina na política representa resistência e transformação. “Ser mulher e governar muitas vezes é enfrentar dúvidas, ser testada e ocupar espaços que historicamente nos foram negados. Ainda assim, nós permanecemos. E não apenas permanecemos: nós avançamos, transformamos e abrimos caminho para as que vêm depois. O municipalismo precisa da sensibilidade, da firmeza e da visão estratégica das mulheres”, disse.

A deputada estadual Lud Falcão também participou da abertura e destacou a importância de incentivar a participação feminina na política. “Meu pai foi o primeiro homem que me incentivou a não ficar calada e a ocupar os meus espaços. Não é fácil ser mulher na política, mas a gente persiste e luta pelo nosso espaço e pelos nossos direitos”, afirmou.

Números que gritam

Após a abertura, o evento seguiu com o primeiro painel, intitulado “Números que gritam”, que abordou dados relacionados à desigualdade de gênero, à violência contra a mulher e à participação feminina nos espaços de poder.

O debate foi mediado pela coordenadora de Comunicação da AMM, Thalita Marinho, e contou com a participação da promotora de Justiça Denise Guerzoni, das Promotorias de Justiça de Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), e da juíza Aila Figueiredo, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).

Durante o painel, Denise Guerzoni apresentou um panorama da atuação do sistema de justiça no enfrentamento à violência doméstica e familiar, trazendo dados e reflexões sobre os desafios relacionados ao combate ao feminicídio. “O dia 8 de março, mais do que comemoração, deve ser momento de consciência coletiva de que a gente precisa organizar um futuro justo e seguro, por isso, precisamos deixar de neutralizar qualquer tipo de violência e de discriminação de gênero”.

 Já a juíza Aila Figueiredo destacou a importância da participação feminina na formulação de políticas públicas e chamou atenção para os altos índices de feminicídio registrados em cidades menores do interior mineiro.

Espaço de escuta e troca de experiências

Ainda na parte da manhã, o evento promoveu um painel de escuta e identificação, dedicado à troca de experiências entre gestoras públicas.

A mediação foi conduzida pela prefeita de Serrania e líder do Movimento de Mulheres Municipalistas de Minas Gerais, Xanda Maria, pela secretária executiva da Assoleste, Elida Márcia, e pela secretária municipal de Políticas Públicas para as Mulheres de Alfenas, Kátia Goyata.

Durante o encontro, prefeitas, vice-prefeitas e vereadoras compartilharam desafios e experiências vividas em suas trajetórias políticas.

A vereadora Giovami Maciel, de Moema, destacou a importância da representatividade e da defesa dos direitos das mulheres, incluindo a população trans. “Precisamos lutar para que o Brasil deixe de ser um dos países que mais matam mulheres no mundo, especialmente mulheres trans. A representatividade é fundamental para mudar essa realidade”, afirmou.

A prefeita de Leme do Prado, Josy Cordeiro, relembrou os desafios enfrentados durante a campanha eleitoral.  “Foi uma campanha em que o machismo prevaleceu em muitos momentos, mas não nos deixamos abater. Hoje levamos para a gestão um olhar mais humano, mais atento e que sabe escutar”, disse.

A vice-prefeita de Betim, Creusa Lara, também relatou dificuldades enfrentadas ao longo de sua trajetória política.  “Meu trabalho foi muito difícil. Tive pouco apoio institucional, mas muito apoio nas ruas. Betim é uma cidade muito machista e enfrentamos ataques diariamente, mas seguimos firmes. Além de sermos capazes, sabemos que os governos geridos por mulheres costumam ser mais honestos”, afirmou.

Já a vice-prefeita de Guaxupé, Renata Fernandes, destacou os desafios enfrentados por mulheres que conciliam diferentes papéis na sociedade. “Como mãe atípica, sei que muitas mulheres acabam perdendo sua identidade como profissional e como mulher. Por isso, trabalho para fortalecer o protagonismo feminino e para que cada vez mais mulheres ocupem espaços de liderança”, afirmou.

O evento “Mulheres que Governam” segue ao longo do dia com painéis, debates e atividades voltadas ao fortalecimento da participação feminina na política e na gestão pública municipal.

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